Política

Moro quer replicar no PR programa que Bolsonaro esvaziou

Plano de candidato a governador recupera ideia de projeto-piloto contra criminalidade que lançou após assumir Justiça com ares de ‘superministro’

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Ranier Bragon
Moro durante filiação ao PL, em evento com presença de Flávio Bolsonaro | Ranier Bragon/SBT News

Moro durante filiação ao PL, em evento com presença de Flávio Bolsonaro | Ranier Bragon/SBT News

O senador Sergio Moro (PL-PR), candidato ao Governo do Paraná, promete retomar no estado a espinha dorsal de um dos principais programas de segurança pública que lançou quando era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

O plano de governo de Moro prevê forças-tarefas regionais permanentes para combater facções criminosas, integração entre diferentes forças de segurança, compartilhamento de inteligência e confisco do patrimônio de organizações criminosas –pilares semelhantes aos do “Em Frente, Brasil”, lançado no país por ele e Bolsonaro em agosto de 2019.

O programa federal, porém, nunca foi priorizado por Bolsonaro e acabou esvaziado em meio a uma relação que foi se deteriorando até o rompimento e a saída de Moro do governo, em abril de 2020.

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Hoje Moro está reconciliado ao bolsonarismo, inclusive disputando o governo pelo partido do ex-presidente da República.

O “Em Frente Brasil” reunia em forças-tarefas diferentes órgãos federais, estaduais e municipais para atuar de forma integrada em policiamento, inteligência, investigação e perícia nas cidades de Ananindeua (PA), Paulista (PE), Cariacica (ES), Goiânia (GO) e São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Cada uma das 5 cidades que participaram desse projeto-piloto recebeu inicialmente cerca de cem integrantes da Força Nacional. A segunda etapa deveria envolver mais de dez ministérios em ações de educação, saúde, assistência social, esporte, infraestrutura, emprego e outras áreas.

A ideia de Moro era usar as cinco cidades como laboratório e, caso o modelo funcionasse, expandi-lo para as 120 cidades que concentravam cerca de metade dos homicídios do país.

Isso nunca ocorreu.

Depois da saída de Moro do governo, o programa perdeu força. A participação da Força Nacional foi sendo reduzida, parte dos recursos demorou a chegar aos estados e o prometido mutirão dos ministérios na área social não saiu do papel como previsto. A experiência-piloto foi encerrada formalmente em abril de 2021.

A proposta da atual campanha também foca a estratégia policial de formar forças-tarefas e integrar diferentes órgãos em torno de alvos e territórios definidos.

O plano de Moro para o Paraná prevê criar "Forças-Tarefa de Investigação", com equipes permanentes em diferentes regiões do estado, reunindo as polícias e a Receita Estadual para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.

Também propõe "Centros Integrados de Cooperação Policial", reunindo as polícias Militar, Civil, Científica e Penal, Corpo de Bombeiros e órgãos federais para compartilhar dados e inteligência em tempo real.

Em encontro com policiais civis em agosto, Moro detalhou que as forças-tarefas teriam missões específicas contra facções, com o objetivo de "desmantelar a quadrilha, prender os líderes e confiscar o patrimônio".

Em discurso no Senado em junho, Moro disse que pretendia aplicar suas experiências anteriores no Paraná para torná-lo o estado mais seguro do país.

Procurado pelo SBT News, Moro disse que vai criar forças tarefas para desmantelar gangues e quadrilhas, com participação de várias forças policiais.

“Criaremos centros de integração entre forças policiais e outros órgãos de estado para compartilhamento de dados, operações e inteligência”, disse.

“Não teremos a força nacional, mas as polícias estaduais farão um grande trabalho.”

Questionado sobre as razões pelas quais Bolsonaro não deu sustentação ao seu projeto, Moro não respondeu.

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