Centrão articula mudança eleitoral após avanço da direita
Hugo Motta discutiu com líderes e dirigentes partidários a votação de proposta ainda em novembro; Domingos Neto será o relator

Plenário da Câmara dos Deputados | Divulgação/Antonio Cruz/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula com partidos do Centrão e do centro uma mudança no sistema de eleição dos deputados federais, em reação ao resultado das urnas deste ano.
A ideia é tentar votar ainda em novembro uma proposta que substitua o atual sistema proporcional pelo distrital misto ou por uma de suas variações em discussão, como o distritão ou um modelo de distritão misto.
O objetivo é aprovar a mudança antes da posse do novo Congresso, em fevereiro de 2027. O relator da proposta será o deputado Domingos Neto (PSD-CE).
A articulação foi discutida nesta quarta-feira (14), na mesma reunião em que União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos decidiram manter o bloco partidário na próxima legislatura e sinalizaram apoio à reeleição de Motta para o comando da Câmara.
Nos bastidores, dirigentes e líderes partidários tratam a mudança no sistema eleitoral como uma resposta ao avanço da direita bolsonarista e à perda de espaço de partidos mais ao centro.
Partidos tradicionais do Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, e do centro, como MDB e PSD, perderam espaço nas eleições de 4 de outubro.
A avaliação desses dirigentes é que o atual modelo favoreceu candidaturas de forte apelo individual, especialmente influenciadores e nomes impulsionados pelas redes sociais, reduzindo o peso das estruturas partidárias.
Entenda os modelos em discussão
Atualmente, os deputados federais são eleitos pelo sistema proporcional. Os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas ajudam a definir quantas cadeiras cada partido ou federação terá. Depois, as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados de cada grupo, conforme as regras eleitorais.
No distrital misto, o eleitor normalmente tem dois votos. Uma parcela dos deputados é escolhida diretamente em distritos territoriais, enquanto outra é eleita por meio de listas partidárias, de forma a preservar algum grau de proporcionalidade na representação dos partidos.
No distritão, cada estado funciona como um grande distrito eleitoral. São eleitos os candidatos mais votados até o preenchimento das vagas, sem que os votos recebidos por um candidato ajudem a eleger outros nomes de seu partido.
Já o chamado distritão misto ainda depende do formato que vier a ser definido na Câmara. A ideia em discussão é combinar a eleição individual dos mais votados com uma parcela de cadeiras distribuída de acordo com o desempenho dos partidos.
Avanço do PL no Congresso
Tanto a articulação para mudar o sistema eleitoral quanto as conversas em torno da reeleição de Motta têm, segundo dirigentes envolvidos nas negociações, o objetivo de fazer frente ao fortalecimento do bolsonarismo no Congresso.
O PL elegeu 121 deputados federais e terá 29 senadores na próxima legislatura.
Nas últimas décadas, o Congresso discutiu diversas propostas para alterar o sistema eleitoral, mas nenhuma das tentativas de substituir o modelo proporcional por essas alternativas prosperou.

























