Eleições

Flávio x Lula: o que defendem para segurança pública

SBT News detalha, neste 2º turno da campanha presidencial, os programas de governo de Flávio Bolsonaro e Lula

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Sofia Pilagallo

O combate às facções, a violência contra as mulheres e os roubos e furtos de celulares estão entre os desafios da segurança pública que o próximo presidente terá de enfrentar. Mesmo com a queda dos homicídios, o país convive com a presença de grupos criminosos nos territórios, a superlotação dos presídios e o aumento dos feminicídios.

Os planos de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam caminhos distintos para a segurança pública. Lula combina repressão ao crime com prevenção social e controle de armas, enquanto Flávio enfatiza penas mais duras e ampliação dos presídios. Ambos defendem investir em inteligência, integrar as forças de segurança e combater as estruturas financeiras do crime organizado.

Para mostrar o que essas propostas podem representar na prática, o SBT News compara os programas dos dois candidatos e reúne declarações feitas durante a campanha. A reportagem também apresenta um panorama dos principais problemas da área e ouve especialistas para avaliar a viabilidade, os limites e os possíveis efeitos das medidas.

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O que dizem os planos de governo

Armas e política de armamento

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Investir em "armamentos de última geração" para as forças de segurança, por meio de consórcios e convênios com estados e municípios.
  • Reforçar o uso da força letal contra criminosos armados, afirmando que "bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança".

O que propõe Lula (PT):

  • Manter a política de controle de armas e munições, apresentada no plano como uma medida para reduzir a violência.
  • Aprimorar os mecanismos que permitem acompanhar a origem e a circulação de armas e munições.
  • Reforçar a fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre empresas de segurança privada, registros de defesa pessoal e atividades de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs).

Maioridade penal

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.
  • Permitir a punição de adolescentes maiores de 14 anos por crimes graves. O plano não especifica onde esses adolescentes seriam mantidos nem se haveria separação em relação aos presos adultos.

O que propõe Lula (PT):

  • O programa de governo não apresenta proposta ou posição explícita sobre redução da maioridade penal.

PEC da Segurança Pública

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • O plano de governo não menciona expressamente a PEC da Segurança Pública nem declara apoio, oposição ou propostas de alteração ao texto.

O que propõe Lula (PT):

  • Apoiar a PEC enviada pelo Executivo para revisar as atribuições de União, estados e municípios, ampliar a atuação federal e fortalecer a cooperação entre os três níveis de governo.
  • Criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, para coordenar as políticas nacionais da área no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), em articulação com estados e municípios.

Combate ao crime organizado e às facções

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Bloquear ativos financeiros e desarticular a lavagem de dinheiro que sustenta as facções.
  • Intensificar operações policiais, com uso de inteligência e integração entre forças de segurança, para prender lideranças e desarticular negócios ilícitos.
  • Investir na retomada de territórios dominados por facções, associando operações de segurança a políticas públicas estruturantes.
  • Ampliar o uso de drones e inteligência artificial no enfrentamento ao crime organizado.
  • Classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho, as milícias e outras facções como organizações narcoterroristas.

O que propõe Lula (PT):

  • Manter a estratégia de combate às estruturas econômicas e financeiras do crime organizado e das milícias.
  • Fortalecer o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, com ações de enfrentamento ao tráfico de armas, investigação de homicídios, asfixia financeira das facções e retomada de territórios.
  • Combinar operações policiais com urbanização de favelas e periferias, recuperação de espaços públicos, participação das comunidades e ampliação do acesso a serviços essenciais.
  • Promover, em conjunto com os demais poderes, procedimentos jurídicos mais ágeis para punir crimes ligados a organizações criminosas e medidas para impedir candidaturas de pessoas vinculadas a esses grupos.

Atribuições da União e dos estados

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Ampliar a cooperação entre União, estados e municípios por meio de consórcios e convênios voltados a investimentos em segurança pública.
  • O plano não apresenta uma redefinição detalhada das competências da União e dos estados na segurança pública.

O que propõe Lula (PT):

  • Fortalecer a articulação entre instituições federais, estaduais e municipais para reduzir a fragmentação das políticas de segurança.
  • Apoiar os estados na implementação de padrões nacionais de gestão, monitoramento e modernização das penitenciárias estaduais.

Fortalecimento e integração das polícias

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Investir na valorização dos profissionais de segurança, com ampliação de equipamentos e recursos tecnológicos.
  • Implantar o Muralha Brasileira, sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais, inspirado no Smart Sampa e no Muralha Paulista.
  • Instalar mais de 1 milhão de novas câmeras para localizar foragidos, prevenir crimes e monitorar portos, aeroportos e espaços públicos.
  • Dobrar os investimentos federais em segurança pública ao longo do mandato.

O que propõe Lula (PT):

  • Consolidar o Sistema de Inteligência de Segurança Pública e Justiça Criminal e modernizar as plataformas Sinesp e Infoseg.
  • Ampliar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).
  • Valorizar e qualificar os profissionais de segurança pública, com foco na atuação policial e no uso legítimo da força.
  • Desenvolver programas de policiamento de proximidade, fortalecendo a relação entre as polícias e as comunidades.
  • Ampliar os incentivos ao uso de câmeras corporais, com padrões nacionais de utilização, gestão e preservação das imagens.
  • Fortalecer os mecanismos de controle interno e externo da atividade policial.
  • Capacitar as forças de segurança para melhorar o atendimento às mulheres vítimas de violência.

Sistema prisional

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Construir cinco presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador, que, somados às cinco unidades federais existentes, formarão o complexo TREVA.
  • Isolar chefes de organizações criminosas e presos de alta periculosidade, com proibição de celulares e visitas íntimas e monitoramento das visitas.
  • Criar 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos, em parceria com governos estaduais, para zerar o déficit carcerário.
  • Acabar com a progressão de regime para condenados por crimes hediondos e estabelecer o cumprimento integral da pena para quem cometer homicídio.
  • Redirecionar às famílias das vítimas recursos atualmente destinados às famílias de detentos, sem identificar nominalmente o benefício nem detalhar a implementação.

O que propõe Lula (PT):

  • Cumprir as metas do Plano Pena Justa, com foco no combate ao crime organizado, na redução da reincidência e na garantia de direitos.
  • Instituir o Pacto Nacional de Execução Penal para o Enfrentamento ao Crime Organizado, fortalecendo a gestão prisional e a cooperação entre governos e sistema de justiça.
  • Ampliar a capacidade operacional do sistema penitenciário federal e fortalecer o isolamento de lideranças criminosas.
  • Criar um protocolo nacional de classificação e transferência de presos de alta periculosidade, com critérios objetivos e baseados em evidências.
  • Reforçar a segurança prisional como parte do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, em parceria com estados e municípios.

Prevenção e enfrentamento da violência

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Aprovar e implementar a castração química de estupradores e abusadores de crianças condenados pela Justiça.
  • Endurecer as penas para crimes contra mulheres, obrigando assassinos e agressores a cumprir integralmente suas condenações.
  • Implantar o monitoramento eletrônico de agressores de mulheres sob medida protetiva, priorizando casos de maior risco e emitindo alertas em situações de descumprimento de decisões judiciais.
  • Criar Centrais da Mulher em todo o país, com acolhimento, proteção, orientação jurídica, apoio psicológico, unidades itinerantes e serviços disponíveis por aplicativo.
  • Integrar Ligue 180, delegacias online, botões de emergência e centrais de monitoramento em uma plataforma de resposta rápida, com a assistente virtual ClarIA para registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e orientação às vítimas.
  • Implantar um sistema nacional de avaliação de risco para priorizar denúncias de violência contra mulheres conforme a gravidade das ameaças.
  • Oferecer orientação financeira para mulheres em relações abusivas e assistência para obtenção da escritura da casa própria em seus nomes.
  • Ampliar os espaços de acolhimento para mulheres que precisam deixar a residência do agressor.
  • Endurecer as punições para crimes envolvendo celulares, com prisão para quem roubar aparelhos e proposta de quadruplicar a pena inicial de quem furtar ou revender celulares provenientes de crimes, "também sem benefícios", sem especificar quais seriam retirados.

O que propõe Lula (PT):

  • Combinar políticas de segurança pública com redução das desigualdades sociais e ampliação de oportunidades, especialmente para jovens.
  • Fortalecer programas de prevenção à violência com foco na proteção da juventude negra.
  • Ampliar iniciativas de mediação comunitária e justiça restaurativa em parceria com estados e municípios.
  • Expandir o Programa Celular Seguro e intensificar o combate à receptação de aparelhos, às fraudes bancárias e aos golpes financeiros associados.
  • Incentivar a consulta à Base Nacional de Celulares com Restrição antes da compra de aparelhos usados.
  • Manter o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio como eixo central das políticas de combate à violência contra mulheres.
  • Concluir 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira, ampliar as Salas Lilás e distribuir equipamentos para monitoramento de agressores.
  • Fortalecer o acolhimento psicossocial às mulheres vítimas de violência.
  • Priorizar o combate à pedofilia e ampliar ações de inteligência e investigação de crimes contra crianças e adolescentes.
  • Aprimorar o ECA Digital, regulamentar o uso de telas por faixa etária e estabelecer regras para plataformas de jogos e ambientes digitais.
  • Fortalecer serviços de proteção aos idosos contra maus-tratos e violações de direitos, ampliando a fiscalização das instituições de longa permanência.
  • Combater a exploração sexual de crianças e adolescentes, a violência digital contra mulheres e pessoas LGBTQIAP+, o racismo e os crimes de ódio.
  • Avançar na regulação das redes sociais e plataformas digitais para impedir campanhas de ódio.
  • Fortalecer a prevenção e o combate à violência no campo, com proteção a moradores e defensores dos direitos humanos e ambientais.

Fronteiras e tráfico de armas e drogas

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Criar o Sistema Nacional de Fronteira, com uma tropa de elite formada por integrantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea, equipada com armamentos de guerra, inteligência e tecnologia.
  • Interceptar fuzis e drogas destinados às facções criminosas por meio de operações terrestres, portuárias e aéreas.
  • Utilizar tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica para ocupar e monitorar permanentemente portos e aeroportos brasileiros, com foco no combate ao tráfico de cocaína.
  • Reforçar o uso da força contra traficantes, afirmando que "traficante que resistir e enfrentar o Estado vai ser preso ou vai virar pó".
  • Fortalecer a vigilância de portos, aeroportos e fronteiras para combater o tráfico de armas e drogas.

O que propõe Lula (PT):

  • Intensificar o combate ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos em parceria com estados e municípios.
  • Manter a presença das Forças Armadas nas fronteiras amazônicas, com patrulhamento fluvial e aéreo, inteligência policial e ambiental e cooperação internacional.
  • Ampliar os investimentos em radares, drones, sensores, imagens de satélite e centros integrados de comando e controle.
  • Incorporar o monitoramento das rotas fluviais ao sistema nacional de enfrentamento ao crime ambiental.
  • Fortalecer a presença do Estado nas regiões de fronteira, com infraestrutura, serviços públicos, vigilância territorial e combate ao crime organizado transnacional.
  • Ampliar a cooperação com países vizinhos e fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) no enfrentamento aos crimes transnacionais.

O que os candidatos disseram durante a campanha

Armas e política de armamento

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"Legítima defesa tem que voltar, né? Só quem tá armado é bandido."

— Flávio Bolsonaro, em resposta à Folha de S.Paulo sobre a possibilidade de ampliar o acesso a armas para defesa pessoal, em 7 de outubro de 2026.

O que disse Lula (PT):

"Eu, quando era presidente, tinha o Márcio Thomaz Bastos como ministro da Justiça. Nós queimamos e pegamos quase 500 mil armas do povo. O povo devolveu mais de 500 mil armas. Sabe o que eles [governo Jair Bolsonaro] fizeram? Eles distribuíram. Venderam mais de um milhão de armas e venderam, Alckmin, um bilhão de balas. Essa gente fala em segurança."

— Lula, no lançamento da campanha, em 16 de agosto de 2026, em São Bernardo do Campo (SP).

"O Brasil não irá para frente facilitando a venda de armas. O Brasil irá para frente facilitando a distribuição de livros didáticos nas escolas."

— Lula, em declaração a jornalistas após votar no primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, em São Bernardo do Campo (SP).

Redução da maioridade penal

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"Bandido que tem 16 anos e comete crime de adulto vai responder como adulto."

— Flávio Bolsonaro, durante comício no Recife (PE), em 16 de setembro de 2026.

"Se menor de idade pode votar para presidente, pode responder pelos seus atos."

— Flávio Bolsonaro, durante discurso após moto-carreata em São Gonçalo (RJ), em 10 de outubro de 2026.

O que disse Lula (PT):

"Eu não discuto reduzir a maioridade penal, eu quero aumentar o tempo em que o jovem fica na escola."

— Lula, durante ato de campanha em Florianópolis (SC), em 19 de setembro de 2026.

PEC da Segurança Pública

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

Declarações não localizadas.

O que disse Lula (PT):

"A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Por que eu vou criar o Ministério? Porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado da Segurança Pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do Estado e qual vai ser o papel do município. Porque aí sim a gente vai trabalhar muito forte, talvez desmanado. Teve muitos governadores que não quiseram, Tarcísio não quis, Caiado não quis, porque não querem que o governo federal se meta na segurança pública."

— Lula, em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto de 2026.

"Para garantir ao trabalhador proteção e para o bandido a prisão, eu mandei uma proposta de emenda constitucional para a Câmara dos Deputados para definir o papel do governo federal na segurança pública, fortalecendo o Sistema Único de Segurança Pública. Já foi aprovado na Câmara e está no Senado desde março deste ano. Eu espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote para que a gente possa, de uma vez por todas, combater o crime organizado."

— Lula, em vídeo publicado nas redes sociais em 8 de outubro de 2026.

Combate ao crime organizado e às facções

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"O Brasil vai vencer porque o PCC e o Comando Vermelho vão ser classificados como terroristas."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de lançamento da campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em 16 de agosto de 2026.

"Vão ficar até 80 anos presos os chefes dessas facções narcoterroristas."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de apoio à sua candidatura com Ronaldo Caiado, em Goiânia (GO), em 6 de outubro de 2026.

"A gente vai retomar cada metro de território que eles tomaram do Estado."

— Flávio Bolsonaro, durante evento de campanha em Manaus (AM), em 11 de setembro de 2026, ao criticar o domínio territorial das facções criminosas.

"E, nos próximos quatro anos, eu e o Douglas vamos declarar guerra aos narcoterroristas do Comando Vermelho, PCC e milícia."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de campanha em São João de Meriti (RJ), em 26 de setembro de 2026, ao lado de Douglas Ruas, então candidato ao governo fluminense.

"Vocês têm até 1º de janeiro pra meter o pé daqui."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de campanha no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de agosto de 2026, ao anunciar medidas contra PCC, Comando Vermelho e milícias.

O que disse Lula (PT):

"Enquanto eles pegaram, em mandato deles, um bilhão de reais do crime organizado, nós pegamos, Haddad, 35 bilhões de reais do crime organizado. Porque é pegando o dinheiro deles que a gente vai acabar com a indústria do crime sofisticada. É fácil matar o bandido numa favela. Agora o cara que manda está no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio."

— Lula, no lançamento da campanha, em 16 de agosto de 2026, em São Bernardo do Campo (SP).

"Vou preparar mais a Polícia Federal. Mais uma Força Especial Federal, mais a Polícia Rodoviária. E quero olhar aqui na cara do povo, quero olhar na cara desse povo aqui, da região oeste do Rio de Janeiro. Nós vamos tirar o bandido do território de vocês e vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro."

— Lula, em comício no estádio Moça Bonita, em Bangu, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2026.

"Da mesma forma, é o chefe do crime organizado. Ele positivamente nunca conhece a favela. Ele está num apartamento de cobertura. Ele está morando num condomínio. Ele não tem que sujar as mãos. Alguém tem que sujar as mãos por ele. E se tiver proteção pública, melhor ainda."

— Lula, durante cerimônia sobre ações integradas contra o crime organizado, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

Atribuições da União e dos estados

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"Quero dar suporte, não apenas financeiro, mas de organização, de conexão, de troca de inteligência, de troca de informações entre todas as esferas de poder."

— Flávio Bolsonaro, em declaração a jornalistas após reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, em 30 de agosto de 2026, ao propor um Ministério da Segurança Pública com atuação conjunta com forças estaduais e municipais.

O que disse Lula (PT):

"O que eu quero é... Que prefeituras importantes como Rio de Janeiro e São Paulo tem que ter policial com ação de policial. Não pode ficar o policial sem poder prender."

— Lula, em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto de 2026.

"Pois bem, por que nós agora apresentamos uma PEC da segurança pública? É porque nós queremos redefinir qual é o papel central do governo federal na segurança pública. Porque a gente tem a Polícia Federal, que é a melhor polícia do Brasil. Ela não pode interceder nos estados sem que haja um pedido de um governador ou se o crime for federalizado."

— Lula, em entrevista ao Canal Livre, exibida em 27 de setembro de 2026.

Fortalecimento e integração das polícias

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"O policial hoje tá com mais medo de sentar no banco dos réus e enfrentar o juiz do que ir combater narcoterroristas nas favelas."

— Flávio Bolsonaro, durante visita à reunião da diretoria da Fiesp, em São Paulo (SP), em 24 de agosto de 2026, ao criticar decisões do STF sobre a atuação policial.

O que disse Lula (PT):

"Vai ter que dobrar o efetivo da Polícia Federal, vai ter que investir mais em inteligência."

— Lula, em entrevista ao Jornal da Record, em 15 de setembro de 2026.

"Isso aqui eu considero quase que um plano piloto. Isso aqui é o começo de uma experiência da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia da Prefeitura trabalharem juntas, irmanadas com o mesmo objetivo, dar tranquilidade ao povo que mora na periferia."

— Lula, durante cerimônia sobre ações integradas contra o crime organizado, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

Sistema prisional

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"A gente vai construir mais de meio milhão de vagas de presídio."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de apoio à sua candidatura em Goiânia (GO), em 6 de outubro de 2026.

"Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa."

— Flávio Bolsonaro, em entrevista à imprensa após reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, em São Paulo (SP), em 30 de agosto de 2026.

"Vai se chamar 'Treva', para o vagabundo ter medo de ser preso."

— Flávio Bolsonaro, durante visita à Expointer, em Esteio (RS), em 2 de setembro de 2026, ao apresentar a proposta de ampliar os presídios federais de segurança máxima.

O que disse Lula (PT):

"Nós temos 138 presídios, 138 presídios que os comandantes dos crimes moram lá. E nesses 138 nós vamos transformá-los em presídios de segurança máxima. A gente vai colocar dinheiro, vai aparelhar o Estado, aparelhar a Polícia Estadual."

— Lula, durante cerimônia sobre ações integradas contra o crime organizado, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

"Como é que alguém consegue entrar na cadeia com o celular e ninguém sabe quem foi? Será que foi um pombo? Não, alguém levou. Por isso eu vou fiscalizar muito. Fiscalizar. Cadeia não é lugar para bandido comandar quadrilha. Cadeia é lugar para o cara pagar a pena do crime que ele cometeu."

— Lula, durante cerimônia sobre ações integradas contra o crime organizado, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

Prevenção e enfrentamento da violência

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado, porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós."

— Flávio Bolsonaro, durante ato de campanha no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de agosto de 2026, ao falar do combate à criminalidade.

"A gente vai fazer o maior programa de proteção às mulheres e o maior programa de autonomia financeira."

— Flávio Bolsonaro, durante agenda de campanha no Rio de Janeiro (RJ), em 26 de setembro de 2026.

O que disse Lula (PT):

"Nós queremos dar tranquilidade para a mãe e para o pai. Sair para trabalhar sabendo que os meninos estão na escola de tempo integral e não serão cooptados pelo crime organizado e a bandidagem."

— Lula, durante comício em Curitiba (PR), em 12 de setembro de 2026.

"As leis vão ser cada vez mais duras, vamos aumentar a pena [para agressores de mulheres]." "A luta não é só das mulheres, é nossa também."

— Lula, durante ato de campanha em Florianópolis (SC), em 19 de setembro de 2026.

Fronteiras e tráfico de armas e drogas

O que disse Flávio Bolsonaro (PL):

"Os fuzis entram pelas nossas fronteiras, as drogas entram pelas fronteiras do Brasil."

— Flávio Bolsonaro, durante agenda de campanha em Natal (RN), em 21 de setembro de 2026, ao defender a atuação federal contra o tráfico de armas e drogas.

O que disse Lula (PT):

"Vai ter que aumentar o número da Polícia Rodoviária Federal. Porque vai ser preciso ocupar as fronteiras do Brasil."

— Lula, em entrevista à TV Record, em 15 de setembro de 2026.

"Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime."

— Lula, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.

Raio X: o cenário da segurança pública no Brasil

Quase 70 milhões de brasileiros percebem a presença de facções ou milícias no bairro onde moram. São 68,7 milhões de pessoas, equivalentes a 41,2% da população com 16 anos ou mais, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, realizada em março e divulgada em maio de 2026. Nas capitais, essa percepção chega a 55,9%; no interior, a 34,1%.

Apesar desse cenário, o Brasil vem registrando queda no número de homicídios dolosos. Em 2025, foram 31.448 vítimas — média de 86 por dia e redução de 10,5% em relação a 2024. Foi o menor número da série histórica, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Indicadores de segurança pública no Brasil, com dados de 2025 e 2026 | Foto: Arte/SBT News
Indicadores de segurança pública no Brasil, com dados de 2025 e 2026 | Foto: Arte/SBT News

Já as mortes por intervenção policial aumentaram. Em 2025, foram 6.602 vítimas, ante 6.237 em 2024, crescimento de 5,9%, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Os crimes envolvendo celulares apresentam movimentos distintos. Em 2025, 830.890 aparelhos foram roubados ou furtados no país — média de 95 por hora. Na comparação com 2024, a taxa de roubos de celulares caiu 18,6%, enquanto a de furtos aumentou 0,9%. Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 14 das 20 cidades com as maiores taxas de roubos e furtos desses aparelhos são capitais.

Indicadores de segurança pública no Brasil em 2025 | Foto: Arte/SBT News
Indicadores de segurança pública no Brasil em 2025 | Foto: Arte/SBT News

Os feminicídios também cresceram em 2025. O Brasil registrou 1.571 vítimas, mais de quatro por dia e o maior número da série histórica. O total representa aumento de 4,5% em relação às 1.504 vítimas de 2024, segundo o Anuário. No primeiro semestre de 2026, porém, um balanço divulgado em julho pelo Ministério da Justiça contabilizou 741 feminicídios, ante 760 no mesmo período de 2025, redução de 2,5%.

O sistema prisional ampliou seu déficit de vagas. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, faltavam 222.034 vagas em dezembro de 2025, ante 175.886 um ano antes — aumento de 26,2%.

O que dizem especialistas

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) propõem repressão ao crime, mas apresentam caminhos distintos para enfrentar a violência. Enquanto Flávio enfatiza penas mais severas, redução da maioridade penal e ampliação do encarceramento, Lula combina repressão qualificada com prevenção, redução das desigualdades e maior presença do Estado em territórios vulneráveis.

Para as especialistas ouvidas pelo SBT News, a eficácia dessas propostas depende de fortalecer a investigação e enfrentar as estruturas que sustentam a criminalidade. Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, avalia que medidas de endurecimento penal têm apelo eleitoral, mas não substituem a capacidade de esclarecer crimes e alcançar seus responsáveis.

"Muitos desses mecanismos de endurecimento penal a gente já tem. Todo o trabalho de investigação policial para se chegar de fato nos cabeças e nas organizações criminosas não depende de mudança legislativa", afirma Carolina.

Embora ambos os candidatos defendam asfixiar financeiramente as facções, Carolina ressalta que isso exige rastrear recursos e identificar conexões entre mercados legais e ilegais. Ela defende a participação de órgãos de controle financeiro e a cooperação internacional, além de recuperar o controle do sistema prisional antes de priorizar a construção de novas unidades.

Flávio promete cinco novos presídios de segurança máxima inspirados em El Salvador e 500 mil vagas em quatro anos, enquanto Lula prevê melhorar a gestão e ampliar o isolamento de lideranças criminosas. Carolina Grillo, professora da UFF e coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF), alerta que o encarceramento pode fortalecer facções que controlam as prisões.

"O que a gente tem observado é que o crescimento do poder dessas organizações foi paralelo ao crescimento da população penitenciária no país. Então, há que se ter maior cautela com as políticas de encarceramento", diz Carolina.

A professora ressalta que integrantes das posições mais baixas dessas organizações são facilmente substituídos por outros jovens sem oportunidades. Também critica o enquadramento de facções como narcoterroristas e alerta que enfraquecer os controles sobre a atividade policial pode favorecer grupos corruptos e violentos dentro das instituições.

Esses temas aparecem na comparação dos programas: Flávio propõe classificar as facções como narcoterroristas e defende força letal contra criminosos armados com fuzis. Lula prevê ampliar os estímulos às câmeras corporais e fortalecer a fiscalização da atuação policial, além de valorizar e qualificar os profissionais de segurança.

No enfrentamento à violência contra as mulheres, ambos apresentam medidas de acolhimento e monitoramento de agressores. Tammy Fortunato, doutora em estudos de gênero e políticas de igualdade, destaca a prevenção primária que identificou apenas no plano de Lula entre os programas consultados, associada ao combate ao machismo e ao sexismo e a mudanças culturais e estruturais de respeito às meninas e mulheres.

"A gente vê propostas que não estão muito preocupadas com a prevenção, mas sim com a repressão, ou seja, a violência já aconteceu, famílias já foram destruídas, mulheres já sofreram violência, já foram assassinadas. Então é preciso projetos, planos de governo, de fato eficazes para trabalhar a prevenção", afirma Tammy.

Para Tammy, essa transformação exige ações educativas que alcancem crianças, adolescentes e adultos, inclusive em empresas e outros espaços sociais. A especialista também questiona a apresentação de medidas já existentes como propostas e ressalta que sua eficácia depende da aplicação, além de lembrar que os efeitos do feminicídio atingem também os filhos das vítimas.

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